O novo mal do século.

Acabar o mês com uma boa quantia na conta do banco.

Ter tempo de fazer tudo que precisa em um dia.

Conciliar vida pessoal com a social.

Ter controle dos atos e atitudes.

Saber a hora de parar.

Enfim, nenhuma dessas dificuldades rotineiras é a que pesa mais.

Pra começo de conversa, o maior impecílio humano é estar em tempos modernos, anos dourados, era do desenvolvimento e o que mais quiserem chamar o século XXI. Mas não simplesmente por estarem vivenciando essa fase terrestre e sim por não conseguirem, admitirem ser apenas humano, apenas real, apenas existir.

A todo momento criam teorias, justificativas e provas apenas para se mostrarem destacáveis. Apenas para se confortarem na ideia de que são alguém.

Culto ao divertimento, culto à tendência, culto à auto nomeação de alguma coisa.

Títulos, é isso que precisam.

O que os dias atuais trouxeram a tona foi o fato de cada vez mais se tornar repugnante apenas ser, apenas estar, apenas entender, apenas compreender. Hoje você tem que fazer acontecer, se mostrar, se cultuar, se auto classificar como algo a frente do que o resto dos parasitas que não acrescentam em nada, mais conhecidos como sociedade.

Você deve ser além do que é possível, mas lembre-se, pro titulo ter o seu devido valor, o nome dele deve ser complexo o bastante pra que quando alguém escutar/ler se perder no próprio raciocínio tentando entender o sentido da palavra ao que estão querendo dizer.

A sociedade se tornou tão liquida que a fissura por ser alguém, por fazer história e representar alguma coisa já pode ser considerada o mal do século.

Em nem todo umbigo vive um rei, nem todo rei é alguém.

“Próxima vez”

Próxima vez, uma expectativa enrustida, um medo imprevisível e um frio na barriga desconhecido.
A justificativa da não ação no momento.
O consolo dos inseguros.
A Anunciação de uma ameaça.
Uma simples expressão que abre um leque de interpretações.
Informativo do fim, notícia do começo, peça chave do meio.
Da próxima vez.
Quando pronunciada, desconhecemos o seu real intuito, já que, involuntariamente, não sabemos se realmente esperamos por isso ou simplesmente preferimos esquecer que é possível acontecer.
Próxima vez, desencargo de consciência. 
Próxima vez, início de uma expectativa.
Próxima vez, chance.
Próxima vez, fala de um covarde.
Próxima vez, covarde.
Próxima vez, não agora.
Agora.

Proibido (não) divertir!

Sorrisos, olhos abertos, música, dança, pessoas, luzes, noite, dia… Outro dia.

O dia a dia atual se tornou algo tão massacrante que tudo virou motivo pra uma válvula de escape: se divertir.

A palavra em si é clichê e chega a ser banal, mas devido à frequência que ela é usada, as pessoas esqueceram qual é o seu real significado. Não digo que serei eu a desvendá-la pra você, já que também esqueci.

Não me vanglorio por ter deixado a essência dessa palavra ter se evaporado nos sorrisos amarelos que já tive que dar.

Tudo que uma pessoa procura na sociedade e em si mesmo é ser aceito. Ser chamado. Ser amigo. Ser divertido. Ninguém mais tolera algo que não tem diversão.

Paro e me pergunto: em que momento que a diversão se tornou obrigatória?

Hoje em dia não é mais o seu visual ou atitude que te destaca na massa e sim ser divertido.

- Oi, prazer, você faz o que?

- Sou divertido.

As pessoas se tornaram tão carentes de sorrisos e sentimentos plenos que se agarraram na diversão e esqueceram de tudo, principalmente da vida real que vai estar presente assim que levantarem a cabeça do travesseiro.

Ganancia, fissura, necessidade.

O divertido de ser (realmente) divertido é não fazer disso uma rotina. Para algo se tornar divertido é preciso, também, provar do não divertido.

Rotina/normalidade mata, mas quem é que não está morrendo um pouco a cada dia que passa?

Enfim, saibamos lidar com os contrastes, dosar a empolgação e selecionar nossos sorrisos. Acho que assim seremos mais real. 

Festa: Associação dos Musicalmente Bem Aventurados – AMBA

                                      

Em um mundo onde tudo é polêmica e desavença, talvez a maior delas seja a música.

Sim, porque não há nada mais coletivo e individual, ao mesmo tempo, do que uma música.

Quando se fala na famosa técnica de combinar sons de maneira agradável aos ouvidos, é quando todos devem estar preparados pra tudo, seja afinidade ou repulsão. Nada tem um poder tão grande de atrair e repelir pessoas, sim nem o futebol.

Para isso, essa festa se concretiza com o intuito de acabar com todas as divergências musicais, atraindo pessoas que abrem mão do seu orgulho e particularidade para simplesmente compartilhar, pessoas que aceitam que não são únicos e nem particulares. E a partir disso, concluem que temos que viver em conjunto e bem, a começar pela música: um dos maiores artefatos para a diversão.

E por que não deixar de lado todas as semelhanças e curtir exatamente o diferente, o desconhecido, o experimento e a exploração?

A Associação dos Musicalmente Bem Aventurados é um grupo criado para acabar com toda polêmica musical, nele todos curtem, postam, conhecem e reeducam seus ouvidos. E, devido a esse sucesso, teremos esse grupo se concretizando, saindo da interface virtual para o real, saindo do programado para o ao vivo.

Festa quente, calorosa, sensorial e o mais importante de tudo, espontânea.

Mu Amba – nome dado à festa. Já que, como foi dito acima, tudo hoje em dia culmina em divergências, seremos nós os ilegais a quebrar essa regra, seremos nós os contrabandistas de diversão mútua e de bom gosto musical, e com base nisso é apresentado a festa Mu Amba.

Pressão noturna.

Noite esbranquiçada.
Escura, breu, ilusória. Uma noite nunca é apenas um período do dia, e sim a responsável por todas as expectativas.

De onde ela veio e pra onde ela vai?Não sei. Mas daqui doze horas ela retorna.

Sinistra, misteriosa. Ela nunca passa despercebida. Incerta e esburacada, sempre desperta o gosto da curiosidade.

Como já dizia vovó: na noite todo gato é pardo. Não sei de onde vem tanta vulnerabilidade para topar qualquer coisa que lhe traga prazer, mesmo que momentâneo.

Nome: Noite
Idade: o suficiente para ter visto a primeira vida terrestre nascer
Qualidade: é muito bem quista por todos
Defeito: é nela que os lobos uivam.

Até onde o ser humano é capaz de chegar para ao amanhecer falar “essa noite foi única”?.

Seria uma necessidade de suprir qualquer carência consigo mesmo? Quando o assunto é diversão, é disso que ela entende. Mas quando o assunto é dor e fracasso, ela não nega o seu conhecimento absoluto no assunto.

Noite, a mais bipolar dos turnos, a mais dividida dos períodos e a mas traiçoeira das luzes.

Há quem ame, há quem odeie. Mas até hoje não existe uma viva alma que não se sinta atraído pela penumbra noturna.
Se na noite todos os gatos são pardos, é porque na noite todos são gatos.

Coragem grande é poder dizer SIM.

(Source: Spotify)

O sorriso de Macabéa

    Relogio, banho, roupa, cereal, dentes, chave.Dificilmente um dia de labuta começa diferente disso.

    Sendo assim, todos os adeptos por esse ritmo de vida seguem uma mesma linha, com alguns diferenciais entre eles. 
    Nos dias atuais a nossa sobrevivência tem exigido mais do que podemos oferecer, o que tem sido um papel importantíssimo na evolução (?) da raça, já que assim o homem passa a se esgotar mais aumentando a sua margem de limite.
    Diante deste fato as pessoas endureceram, esfriaram, robotizaram seus sentimentos e percepções, e foi em meio dessa situação que me peguei reparando nos indivíduos que repartiam o mesmo ambiente que eu, depois de um dia de muito suor.
    Cadê os sorrisos? Onde foi parar a cordialidade humana? E a simpatia, ficou com vergonha de
dar a cara?
    Dentro de um transporte publico em um dia abafado pude perceber que todos ali compartilhavam uma mesma alegria, fúria, angustia e canseira, mas nunca um palavra ou olhar.
    Como já diziam os velhos sábios: o melhor aprendizado é aquele que é trocado, compartilhado. E ali, num lugar mais rico que a biblioteca municipal (no quesito história), mais terapêutico que um psicólogo (no quesito desabafo) e mais  confraternizador  do que um acampamento infantil (no quesito amizade), vi as pessoas fazendo questão de desperdiçar toda essa preciosidade urbana momentânea.
    Foi quando entrou um cara com meia barda feita, sim apenas o lado direito da barba estava feita, muito bem por sinal. A principio todo mundo olhou, alguns fizeram burburinhos, outros nAo esconderam seus risinhos e eu, ah, e eu… Como não sou diferente de nenhuma pessoa que estava descrevendo até agora, que também não havia criado a minha amizade momentânea no ônibus, coube a mim apenas olhar.
    Ali fiquei, parado olhando, ora disfarçava, ora não, até que vagou o lugar do meu lado (e involuntariamente segui aquela barba com os olhos até me deparar que estava olhando pro cara do assento do lado.
Virei pra frente e desci dois pontos depois.
    Aquilo me perturbou, me inquietou. Diante de tantos elementos (transito, ônibus cheio, depois de Índia de trabalho) uma única pessoa conseguiu um foco unânime sem nenhuma interferência, apenas a visual.
    Foi aí que percebi como a nossa armadura é forte e ao mesmo tempo não passa de uma telincha de nylon.  
Quieto e na dele, o meia barba mostrou pra todo mundo como somos carentes de algo, qualquer coisa que seja. Estamos tão focados nas nossas vidinhas (ilusoriamente considerada única) que não reparamos no que realmente a torna particular.
    Assim como Macabéa, em “A Hora da Estrela”, saí do rumo, perdi o prumo e daí em diante lido com as situações rotineiras de maneira singular, o que me fez tornar um observador nato (pra não dizer doentio) do meio em que estou, da massa.
O todo age sobre um enquanto esse um responde ao todo.

Boquinha da noite (Taken with Instagram at Bella Paulista Casa de Pães e Gelateria)

Boquinha da noite (Taken with Instagram at Bella Paulista Casa de Pães e Gelateria)

Quando chega o fim do dia… (Taken with Instagram at São Luis Do Paraitinga)

Quando chega o fim do dia… (Taken with Instagram at São Luis Do Paraitinga)

Domingo no sítio  (Taken with instagram)

Domingo no sítio (Taken with instagram)

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